Matrix, 20 anos da obra e sua inspiração na filosofia clássica.

Essa semana (mais especificamente 31 de março) o filme hollwoodiano Matrix (o primeiro) completou 20 anos de existência. Além de inovar do ponto de vista da tecnologia e efeitos especias utilizados em filmes, a obra hoje é vista como um clássico e uma das aventuras de ficção científica mais influentes da história.

Matrix carrega em seu enredo ficcional uma série de referências ao existencialismo e à filosofia antiga. Para citar algumas, temos a frase na entrada da casa do Oráculo: “conheça a ti mesmo”, uma alusão direta ao santuário de Apolo na cidade grega antiga de Delfos e a própria existência de um Oráculo, que na verdade é uma mulher, tal como a Sibila, no templo de Apolo.

“Conheça a ti mesmo”

Mais um exemplo é encontrado no personagem Morfeu, que como aponta a mitologia grega, era o nome de um espírito, filho do Sono e da Noite, que possuía asas e era capaz de voar, de forma imediata, de um ponto a outro do mundo e em completo silêncio. Ele podia pousar levemente sobre a cabeça de um humano e carregava uma papoula vermelha com o poder de adormecer e entrar em sonho, com uma forma humana.

No filme Morfeu acessa o personagem Neo de forma sorrateira e silenciosa também, além de indaga-lo se tinha a impressão de estar sempre dormindo, sem nunca ter certeza de estar realmente desperto. Por fim, em vez da papoula, ele utiliza uma pílula vermelha, e nesse caso, ironicamente, a sua função não era adormecer, mas despertar, ou seja, tirar as pessoas do eterno sono dentro da Matrix.

Cena das pílulas
Fonte: Matrix 1999

Mas talvez a mais interessante referência e que norteia toda a obra, seja o mito da caverna de Platão. A alegoria do grego é explorada no filme mediante à dualidade entre a aparência (matrix, sombras da caverna) e a realidade (Zion, exterior da caverna). Há, inclusive, uma menção direta quando Neo, após ser resgatado, questiona a Morfeu porque seus olhos doíam mediante a luz, mesma sensação que assolou o fugitivo da caverna.

O que efetivamente é real? Como se define o real? As sensações que nosso cérebro interpreta são efetivamente a realidade? Ou são apenas parte dela? Ou são apenas uma imagem gerada a partir dela? Qual é a fronteira entra a aparência e a realidade? Há um mundo das ideias além do material? Esses questionamentos filosóficos, mesmo dois milênios depois, ainda nos movem. E você, tomaria a pilula vermelha ou azul? Acha que a sua realidade pode também ser uma matrix? Como saber?

Referências Bibliográficas: