Hoje, Paulo Freire, se vivo, completaria seus 100 anos. O autor brasileiro é um dos mais citados e contemplados no ambiente acadêmico mundial e sua obra deixou uma grande contribuição ao campo da pedagogia, compreendida como ferramenta de emancipação e de transformação social e política.
O centenário de Paulo Freire, para além das comemorações, é também um convite para a reflexão crítica (como ele sempre defendeu) acerca da atual situação da educação e do educador no Brasil.
Ao nos confrontarmos com os dados atuais, nos deparamos com uma realidade ainda cruel e insalubre. O educador brasileiro possui o pior salário do “mundo” (segundo estudos da OCDE em amostragem de 40 países), com baixíssimo poder de compra comparado a outros países e outras profissões de ensino superior no próprio Brasil. O professor precisa, no seu trabalho cotidiano em redes públicas de ensino, dialogar com políticas de aprovação automática (implícitas) e produção de dados fictícios (para possíveis usos escusos). Já na rede privada o desrespeito e a exploração são marcas irretocáveis.
Outro caso preocupante diz respeito à reforma (deforma) do ensino médio, que desde de sua aprovação, por medida provisória (com escasso debate e oitiva de pesquisadores em educação) em 2017, tem sido aplicada gradualmente, quase que prenunciando o agravo do caos e da desigualdade no sistema educacional, uma vez que, na prática, a reforma só reforça e amplia a relação de produção do oprimido (abordado na obra de Freire), limitando cada vez mais a ascensão social dos mais pobres por meio da educação. Se já não bastasse toda a precarização funcional e de renda da profissão, o magistério ainda se enquadra no hall de profissões com os maiores índices (crescente) de afastamento por adoecimento psicológico. Segundo a Associação Nacional de Medicina do Trabalho, o professor está entre as 10 profissões mais propensas a desenvolver depressão.
Por fim, à guisa de exemplo, nesta terça-feira, dia 21 de setembro, educadores do estado do RJ, que já recebem salários abaixo do piso nacional e que estão há 8 anos sem reposição salarial, observarão o início de mais um processo de possível perda de mais direitos por meio do atual pacote de ajuste fiscal proposto pelo governador Claudio Castro e enviado à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (ALERJ). Face a todo o quadro de infortúnios aqui descrito, no ano do seu centenário, a obra de Paulo Freire parece nunca ter sido tão atual e urge a sua aplicação.
Referências bibliográficas
- https://www.anamt.org.br/portal/2015/11/18/as-10-carreiras-que-mais-causam-depressao/
- https://jornaldachapada.com.br/2021/09/16/brasil-salario-de-professor-de-escola-publica-do-brasil-e-o-pior-do-mundo-diz-ocde/
- https://lulacerda.ig.com.br/servidores-publicos-protestam-contra-o-pacote-de-maldade-de-claudio-castro-e-bolsonaro/
- https://www.youtube.com/watch?v=gE54jI8Yk_8
- https://cpers.com.br/wp-content/uploads/2019/10/Pedagogia-do-Oprimido-Paulo-Freire.pdf






























