Por uma educação que nos ajude a pensar e não que nos ensine somente a obedecer.

A educação pública brasileira tem sido atacada pesadamente e desmontada em ritmo veloz, ano após ano, desde 2015. Faltam condições dignas (ar condicionado, professores com bons salários, infra estrutura, quadras, merendas de qualidade, laboratórios, tecnologia, interatividade digital, quantidade de alunos razoáveis por sala, plano de carreira para profissionais, etc).

Temos, com o atual governo federal, a ampliação da lógica neoliberal de Temer: reforma do novo ensino médio medieval, redução de verba para a educação e congelamento de gastos públicos. Para piorar frente ao anterior, o atual governo federal chegou e se mantem no poder com base em teorias conspiratórias paroicas, com direito à inimigos fantasiosos (comunismo) e aliados nada ingênuos (E.U.A.). Como resultado, da-se vazão à movimentos políticos que buscam amordaçar a escola, acusando-a de ter partido político e sexualizar as crianças.

Antes o governo não investia em educação porque ela derrubava o governo. Agora é a existência de alguns personagens dantescos, na política, que é ameaçada pela educação e pela ciência, pois elas trazem o debate para o campo da racionalidade, onde o obscurantismo não consegue se reproduzir. Não é à toa que negam a conhecimento científico em prol dos seus devaneios fanáticos e fundamentalistas.

Um país que trata educação como mercadoria e um gasto a ser economizado, não investido, já é um país falido. Mas um país que ainda adiciona doses de histeria coletiva fundamentadas em delírios, talvez nem possua mais meios de se recuperar. O fim já pode ter acontecido. Alguns só serão notificados mais adiante, outros nem o serão.

Você é vítima ou cúmplice dessa situação? Até onde isso nos levará? Será que realmente tem volta? Conhece a história do Afeganistão antes dos anos 70? Dê uma pesquisada. Em breve produziremos um texto sobre esse caso em particular.

Seja lá quais forem as respostas das perguntas acima, há muitas pessoas fazendo alguma coisa, atuando de algum modo para lançar luz nas novas trevas do século XXI. Haja você também, pelo caminho que melhor te convir, mas haja, do contrário, seremos engolidos pela ignorância fanática e epidêmica, que diga-se de passagem, já está se enfraquecendo pela ação, de um lado, da própria incompetência e ignorância que não se sustenta a médio e longo prazo e, do outro, pelo confronto direto da razão a qual a submetemos. Junte-se a nós, compartilhe o texto, produzia debates e conscientização, visite escolas, converse com os professores e diretores sobre as condições que oferecem aos seus filhos, pressione políticos, pesquise sobre as coisas que acreditar ter certeza, participe ativamente da vida cidadã da sua comunidade, mexa-se antes que fiquemos paralisados.

Parabéns à campeã Mangueira e o grito dos excluídos.

A GRES Estação Primeira de Mangueira foi coroada como a campeão do carnaval carioca de 2019 sem ter perdido um décimo em qualquer quesito. No dia anterior, a escola já havia ganhado outro prêmio, o Estandarte de Ouro. Foi uma dupla premiação.

O desfile da escola foi antológico, não só por ele, mas também pelo contexto no qual se inseriu. A Mangueira deu uma aula de Historia e Geografia do Brasil na sapucaí, em um momento em que as escolas de samba do Rio sofrem com redução de repasse de verbas por parte da prefeitura do Rio e que o país vive talvez o seu período republicano mais retrógrado e com uma população profundamente alienada. Mas o desfile não trouxe uma história tradicional contada pelas escolas durante décadas e sim um novo olhar sobre essa narrativa, como diz o próprio enredo: a história não contada pela história. Foi a história da resistência (ao genocídio e à escravidão) de índios e negros esvaziados pelos registros oficiais.

Bandeira brasileira estilizada em verdade e rosa (cores da escola), aberta no desfile da escola 2019

Aqui cabe um adendo importante: os currículos educacionais atuais já trazem uma historia, uma geografia e uma sociologia revisadas, mais críticas e que, efetivamente, apresentam o olhar dos oprimidos. Tanto no caso dos índios, no espaço anterior à construção do Brasil e a sua posterior relutância, como no caso do continente africano que cedeu tantos filhos a nós. Mas, realmente, alguns dados e tramas não são contemplados e isso o carnavalesco tem total mérito de ter trazido à Sapucaí. Leandro Vieira fez um trabalho de pesquisador ao garimpar as dissertações de mestrado e teses de doutorado sobre as resistências e os personagens esquecidos.

Talvez, justamente por contemplar essa consciência crítica, pensadora e questionadora é que a educação e os movimentos artísticos como um todo têm sido tão atacados atualmente pela atual gestão do governo federal e é esse mais um mérito do desfile da Mangueira. Em um momento de obscurantismo, mediocridade, delírios e opressão (do presidente, dos seus seguidores a das instituições), a escola trouxe o oposto, trouxe o grito (histórico e atual) dos oprimidos ao centro do palco.

Podemos dizer que o desfile da Mangueira de 2019 foi uma catarse emocional, de extravasar toda a opressão que índios, negros e pobres (grifadas na bandeira brasileira da escola de samba) sempre sofreram e que tem se atenuado recentemente, vide a atribuição de demarcação de terras indígenas e quilombolas ao Ministério da Agricultura (uma das primeiras medidas do governo federal em 2019), que na prática ataca diretamente os índios e os negros (inclusive as suas integridades físicas e vidas); e as reformas trabalhistas (2018), do ensino médio (2017), do congelamento de gastos públicos (2018) e a nova previdência (2019), que penalizam frontalmente os pobres.

Carro que destacava o massacre dos bandeirantes aos índios no desfile da Mangueira 2019
Foto: Emiliano Capozoli

Para concluir, há algum tempo, nesse mesmo espaço, discutimos o papel da arte e um elemento presente nessa discussão é a capacidade que ela carrega de questionar, de criticar, de propor reflexão, de produzir uma releitura do mundo, uma resignificação. O desfile da verde e rosa foi exitoso nisso e trouxe um novo olhar sobre nossos heróis da resistência histórica não esquecendo a atual: a escola fez uma justa e linda homenagem à vereadora brutalmente assassinada (crime ainda sem solução oficial) Marielle Franco, defensora política de minorias cariocas e fluminenses contra a opressão do Estado. Parabéns Mangueira, pois antes de ser uma escola de samba, é uma comunidade carioca que sente na pele a dor diária dos negros, nordestinos, pobres, mulheres …

Não presidente, o Brasil gasta até 3 vezes menos que os países desenvolvidos, por aluno, com educação!

Segundo comentário do presidente da república pelo seu Twitter “oficial” – diga-se de passagem, um meio de divulgação patético para o cargo que ocupa -, o Brasil gasta mais com educação em relação ao PIB do que países ricos. Isso é verdade, porém parte dela, pois não responde totalmente a realidade e passa ainda uma impressão falsa da mesma.

Em 2017, o gasto público total em educação representou cerca de 8,3% do PIB, quando a média da OCDE gira em torno de 5% a 6%. Entretanto, outras variáveis são adicionadas a esse tema: a quantidade de alunos no país, o tamanho real (e não proporcional) do PIB e a condição geohistórica.

Olhando para essas novas variáveis, quando divide-se o gasto do PIB pelo total de alunos, o Brasil fica em penúltimo lugar. Gastou cerca de US$ 3.000 por estudante, enquanto a média da OCDE é de aproximadamente US$ 9.000, ou seja, o Brasil investe cerca de 3 vezes menos, por aluno, quando comparado aos países centrais. Há uma população maior no Brasil e historicamente mais carente de educação quando comparada aos países desenvolvidos, afinal, eles já se desenvolveram. O problema do analfabetismo, por exemplo, não é algo significativo na França ou Japão, mas é no Brasil, na Índia e em Uganda.

Imagem ilustrativa

A segunda variável é também muito relevante. Compare 6% do PIB do Brasil (2,056 trilhões USD em 2017) 120 milhões USD, com 6% do PIB da Alemanha (3,677 trilhões USD em 2017) 216 milhões, e fica clara a discrepância que há. Se já não bastasse a quantidade de alunos maior e uma demanda histórica superior, há ainda um gasto menor por PIB bruto. Proporcionalmente gastamos mais que os países ricos, mas em valores brutos absolutos, se gasta muito menos.

Já vimos, portanto, que não se gasta muito, ao contrário, precisa-se gastar ainda muito mais, senão, nunca nos desenvolveremos. Vamos agora avaliar a segunda sugestão do presidente, a de que se gasta mal. Esse ponto requer uma atenção especial a respeito do como e a que se destinam esses gastos. Não temos esses dados e, desse modo, não há como se posicionar especificamente. Contudo, para quem atua na ponta (professores, alunos, diretores, coordenadores pedagógicos), além de saber que o investimento é pouco, percebe-se que o gasto pode estar mal aplicado sim.

A escola pública brasileira do século XXI se assemelha muito mais a um sistema prisional do que a um espaço de transformação e emancipação em sintonia com o seu tempo. As salas são sujas, com portas e janelas quebradas, sem ar condicionado e muitas vezes sem ventilador também. Vivem lotadas de alunos. Na escola falta professor, falta porteiro, falta inspetor, falta merenda, falta coordenador. Os salários são miseráveis, sobretudo pela importância social que esse espaço e seus profissionais têm, com destaque ao professor, a figura central de qualquer sociedade desenvolvida do mundo.

A escola não é interativa, não é digital, não contempla as tecnologias do século XXI nem as novas pedagogias como a invertida, por exemplo. Ela (a escola) permanece, como quando foi idealizada, no século XVIII. Por outro lado, a prisão escolar tem de sobra os cercados: ela é rodeada de grades, regras desnecessárias, alarmes sonoros para o banho de sol, digo, recreio, entre outros.

Alguma escola pública brasileira.

A escola pública do Brasil é um espaço abandonado e visto como gasto pelos governos (talvez a exceção sejam o Maranhão e o Ceará), não como investimento, e isso fica claro na fala no Presidente da República. Alias, mais coisas ficam claras. A começar, o seu habitual desconhecimento em quase tudo que se propõe a falar. Ao longo de sua carreira política, nunca se observou algum posicionamento do atual presidente que fosse fundamentado tecnicamente. Quase sempre os comentários são devaneios ou análises simplistas e mal feitas da realidade e nada mudou.

Ao afirmar que a “agenda globalista mira a divisão de classes” e sugerir “impedir o avanço de fábrica de militantes políticos para formarmos cidadãos”, nosso chefe de Estado faz alguns especialistas na área quase infartarem de perplexidade. O que seria essa tal agenda globalista? Mais uma esquizofrenia? A divisão de classes é uma leitura científica da realidade, não uma ficção. Ora, a escola não é um espaço de divulgação e debate do saber científico? Sim, portanto, é pertinente a discussão sobre as classes sociais.

A última frase da postagem no twitter separa o “militante político” do “cidadão”. Mas será que eles podem realmente se separarem? Então a atuação política nega a cidadania de alguém? É justamente o contrário. Desde da origem da sua concepção na Grécia antiga até atualmente, a ação política é quase que parte fundamental da cidadania, uma não existe sem a outra, mesmo o cidadão desejando se abster das decisões políticas, essa postura já é uma atuação política.

É importante frisar também que a nossa Constituição Federal de 1988 e a LDB de 1996 afirmam que alguns pilares para a educação são: preparar o aluno para o mundo do trabalho e o para a vida em cidadania e, para ambos, temas como: a globalização, a dominação social, a luta de classes, o conceito de cidadania, o pensamento filosófico crítico, entre outros, são elementos fundamentais de desenvolvimento cognitivo.

Fonte: Twitter

Assim, se a verba está sendo mal gasta, o que não sabemos, certamente não é com o conteúdo e com os objetivos oficiais da escola, mas talvez com o espaço físico da escola, com a ausência de se pensar um novo paradigma para esta e, sobretudo, com a remuneração/valorização dos seus profissionais. O Canadá paga hoje, em média, um salário de R$ 20.000 para um professor de educação básica, além de prover total liberdade de cátedra ao profissional. No Brasil, o piso nacional do magistério é de R$ 2.445,00 e as diretrizes do atual governo parecem estar dispostas a piorar esse ponto, além de atacar a liberdade da produção e reprodução do conhecimento nos espaços escolares e nas universidades.

A consequência dessa realidade é que os professores e os alunos se desestimulam. A escola de hoje não é agradável para ninguém que a frequenta. O professores almejam sair da docência, adquirem transtornos psicológicos, abandonam os empregos, vivem licenciados, não se atualizam, são agredidos, entre outras coisas, em suma, vivem precarizados. Já os alunos evadem, não estudam, permanecem iletrados, reproduzem socialmente a falta de civilidade e a violência pela qual o Estado os trata diariamente. O baixo investimento na educação alimenta os problemas sociais que, por sua vez, retroalimentam os problemas na educação. Um ciclo infinito que tende a ganhar mais combustível na atual gestão federal.

Fonte: OCDE

A despeito de tantos problemas, o Brasil oferece bons exemplos de sucesso, desde os Institutos Federais (com resultados superiores a qualquer sistema educacional brasileiro, entre eles o militar; e aos dos países desenvolvidos), passando pelas escolas públicas de Sobral no Ceará, até as Universidades Públicas de excelência internacional (na medida do que lhe são possíveis).

Referências bibliográficas:


Brasil: do protagonismo comercial ao aprofundamento da mediocridade geopolítica.

Na geopolítica da economia mundo, não há espaço para a ingenuidade. A subserviência cega às grandes potências diminui imediatamente o poder de competitividade e autonomia de um país. Pouco a pouco o atual governo federal começa a sentir isso.

A China e os EUA se aproximam de um acordo comercial para compra de Soja, o que está emitindo um alerta para os produtores do Brasil. A efetivação do acordo derrubará o preço do produto brasileiro a ponto, inclusive, de emergirem margens negativas para alguns produtores, como afirma Roberto Machado Bortoncello, diretor comercial do Bom Futuro.

“Os produtores do Brasil terão que reduzir custos e melhorar as operações logísticas para enfrentar essa nova dinâmica global do mercado da soja”, segundo Scheffer que cultiva 270.000 hectares de soja no estado do Mato Grosso.

Reunião do BRICs em 2008 com os chefes de Estado da Rússia, Brasil, China e Índia.

O Brasil, no início do século XXI, já foi protagonista nas negociações e trocas comerciais globais. Parte dessa posição se deu a partir da inserção do país no BRICs, boas relações com os países Árabes, diálogos efetivos no G20 (e também G8) e as trocas com a União Europeia através do Mercosul. Esses elementos deram ao país considerável destaque e poderio de barganha no mercado internacional. Foi um período de grande superávit comercial e consequente crescimento do consumo no mercado interno: a chamada era do ouro da Era Lula.

Hoje, com as novas inclinações políticas de se evitar as relações multilaterais em blocos, de supervalorizar interpretações ideológicos equivocadas (como o caso da China lida como um país comunista) e do retorno da dependência aos E.U.A., o Brasil se recoloca em uma posição semelhante àquela dos anos 90, um país com papel altamente periférico na globalização.

Entretanto, há ainda um agravante atual, a falta de conhecimento notória que assumiu a presidência da república os ministérios em 2019. Enquanto o governo insiste em combater fantasmas paroicos, se dispondo a ser tutelado por nações que tem interesses muito claros e nada amigáveis (E.U.A.), nossa população sofrerá os efeitos econômicos imediatamente. O mais curioso é que a paranoia do governo tem aval de parte da sociedade, já contaminada.


Comentário de um usuário na página da Folha de São Paulo


Referências bibliográficas:



Emprego, direitos e qualidade de vida são coisas do passado.

A PNAD Contínua recém divulgada pelo IBGE aponta para uma economia estagnada ou com lenta recuperação. Alguns dados chamam atenção, entre eles o permanente alto número de subutilizados (desempregados ou subempregados) e desalentados (desempregados que desistiram de procurar trabalho formal).

Talvez o mais impressionantemente seja a atual situação de ocupação no Brasil. O número de trabalhadores por conta própria alcançou patamar de recorde histórico no último trimestre, encerrado janeiro com 23,9 milhões de pessoas. Só perde, em quantidade, para os trabalhadores com carteira do setor privado com 32 milhões.

Fonte: IBGE, 2019 – Retirado do site G1.com

Logo atrás e praticamente empatados estão os trabalhadores do setor público e do setor privada, porém sem carteira. Ambos com 11 milhões cada um. Juntando os trabalhadores por conta própria com os desprovidos de carteira, temos uma gigantesca massa de trabalhadores sem seguridade, algo em torno 38%. Associado a esse fato, a pesquisa mostra que a qualidade do trabalho sofre contínua queda. Seriam esses os precariados da reestruturação econômica do século XX?

O resultado, embora preocupante, não é surpreendente. Desde 2016 o governo federal vem tomando medidas políticas a passos largos que só têm precarizado os trabalhadores, a citar: Reforma Trabalhista (Lei 13.467/17), Reforma do Ensino Médio (Lei 13.415/17), PEC do Teto de Gastos (PEC 55, 2016) e agora, para finalizar, a Reforma da Previdência.

Todas essas medidas apontam para a explosão da informalidade, pauperização crescente da massa popular, ampliação da desigualdade social e redução da seguridade social. Diante de tudo isso, parece que a resposta da perguntar anterior é positiva.

Referências bibliográficas:

Referências bibliográficas para quê?

A polêmica é antiga mas é sempre bom reforçar o debate para expurgar os equívocos e esclarecer as dúvidas. Há cerca de mais de um mês, um edital dedicado aos livros didáticos, produzido pelo atual governo federal, contemplava a seguinte normativa: “Não será mais necessário que os materiais tenham referências bibliográficas”. Após muitas críticas e polêmica gerada, o governo que já havia se esquivado culpando a gestão anterior, voltou atrás. Segue uma das mais interessantes críticas tecidas no período, para fins de registro.

“Chegaremos ao momento, a partir de 2020, em que o Wikipedia será mais confiável que o livro didático no Brasil. É um fato que a política dos livros didáticos está falida. Os alunos não usam, danificam, as gerações atuais são cada vez mais tecnológica e menos letradas, o que nos indica que novas ferramentas digitais poderiam ser fomentadas com parte da verba dos livros. Mas, de todo modo, esses livros ainda são (até 2020) referencias de informação científica e filosófica.

“Se eu vi mais longe, foi por estar sobre ombros de gigantes”
Frase de Isaac Newton.

Lembro eu, na minha adolescência, com um dúvida sobre ciclo menstrual, busquei um livro de Biologia e aprendi tudo sobre o tema, inclusive “ensinei” à minha namorada da época. Cegamente confiei naquela informação, e mesmo criticamente, poderia fazê-lo, pois há um corpo de produtores qualificados para aquele material e diversas triagens de avaliação. Nessa trilha, as referências bibliográficas são fundamentais, são as fontes que balizam e permitem a contestação e validação dos conteúdos, pois essas já se deparam com o crivo científico. Em suma, as referências são a ferramenta de legitimação e aprovação do livro, sem as mesmas, livros didáticos se tornarão livros ficcionais e que confiabilidade terão no processo de aprendizagem (para qualquer idade)?

Sabemos que vivemos atualmente uma pesada disputa por narrativas e a ciência tem sido frontalmente atacada pelas teorias da conspiração mais fantasiosas possíveis, moinhos de vendo que geram medos, medos usados como ferramenta política, vide nossas eleições 2018. O que está em jogo agora nesse episódio é exatamente a narrativa, sem referência bibliográfica, o adolescente brasileiro de 2026 não terá a mesma “sorte” que eu tive ao acessar o mesmo tema.

Talvez ele aprenda no livro de Biologia que o ciclo menstrual só tenha importância reprodutiva após o casamento e seu professor com notório saber, mas não formado em Biologia ou área afim (Reforma do Ensino médio 2017), confirme isso. Talvez ele aprenda no mesmo livro de Biologia que somos seres que derivam de Adão e Eva e que vacinas devem nunca serem tomadas. Talvez o livro de física afirme que Einstein era um charlatão mesmo e a inércia não é uma lei, o de Geografia que a Terra é plana e talvez nem orbite o Sol, o de História que Nazismo é de esquerda e o Brasil era socialista até 2019, e em todos os casos, o professor com notório saber (sabe-se lá o que isso significa) é passível de confirmar. Talvez isso tudo ocorra ou até mais, fato é que, nada poderemos fazer caso ocorra, e no fim, nós é que estamos pagando pela ampliação da “paranoia” social travestida de informação e conteúdo.”

Para concluir, como forma de protesto ao enorme absurdo que foi esse episódio e buscando dar praticidade ao problema que a crítica acima aponta, esse artigo não revelará o autor da mesma e tampouco
constará as referências bibliográfica.

Referências bibliográficas:

  • Não são necessárias.

Quem ganha e quem perde com a reforma da previdência?

Finalmente o texto da reforma da previdência (PEC 06/2019) foi entregue (em um típico simbolismo dantesco) ao congresso e agora terá que passar por dois turnos na câmara dos deputados e mais dois no senado, em ambos os casos deve ser aprovado por 3/5 dos legisladores.

Críticas sobre a proposta já ganham vida e congregaremos algumas em nossa análise. Para começar, a imagem do encontro entre o presidente da república e o da câmara dos deputados, envoltos por alguns ministros e deputados, é bem reveladora, como aponta o jornalista André Rizek. São todos homens, brancos e da elite. Não se vê negros, mulheres e pobres. Trata-se da elite financeira do país, aquela que é sócia minoritária da elite global e não tem o menor pudor em explorar seu próprio país para benefício de ambas.

Entrega da PEC 06/2019 dia 20/02/2019

A justificativa inicial da previdência é falha. Não há déficit, ao contrário, há considerável superavit e há no mínimo uma dúzia de pesquisadores e técnicos gabaritados que demonstram claramente o jogo contábil e de interpretação estatística utilizada para chegar a conclusões não verdadeiras. Entre eles a Doutora em Economia pela UFRJ, Denise Gentil, o Auditor Fiscal e presidente do Sindifisco Nacional, Gabriel Corrêa e a ANFIP (Associação Nacional de Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil).

O argumento central é que a seguridade social, categoria onde se encontra a previdência, não é paga somente pelo trabalhador, mas possui outras fontes de receita, tais como a Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (CSLL) e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS). Essa receita muitas vezes é transferida, por intermédio da DRU (Desvinculação de Receitas da União) em até 30% (desde 2016), para outras aplicações do governo, o que gera a impressão de menor recurso.

Contudo, realmente em algum momento ela será deficitária. Esse é o segundo argumento e, de fato, procede, mas isso ocorreria em, no mínimo, uma década a frente. Com a mudança da nossa pirâmide etária (envelhecimento da população, aumento da expectativa de vida e redução da natalidade) o regime de repartição, no futuro estimado para daqui a 10, 20 ou 30 anos, não será mais sustentável.

A proposta atual de capitalização propõe que cada trabalhador financie a sua própria aposentadoria e, nesse caso, sem a contribuição do patrão (repartições privadas). O interesse por trás da mesma é o de transferir o montante de recursos para a administração dos bancos, o que lhes confere maior lucratividade, portanto, é justamente essa a fração social, e somente ela, que ganha com a nova previdência.

Segundo a professora Denise Gentil, é o próprio governo que provoca o déficit da Previdência

A proposta apresenta falhas enormes e revela um desconhecimento do próprio país por parte do governo federal (para ser generoso). O Brasil enfrenta enormes dificuldades estruturais para absorver tal regime, entre elas a devastadora desigualdade social, regional e de gênero. No caso das mulheres, a sua dupla jornada de trabalho e os menores salários comparados aos homens fazem com que a idade mínima de 62 atrelado ao mínimo de contribuição para alcançar os 100%, sejam absurdamente cruéis.

Para o trabalhador rural, para o trabalhador urbano das regiões mais pobres, com menor expectativa de vida (Nordeste e Norte); até mesmo para os trabalhadores urbanos das regiões mais dinâmicas (Sudeste e Sul), sobretudo aquele do circuito inferior da economia (construção civil, domésticas, etc) e das profissões com maior dano ao corpo e a mente (motoristas, professores, etc), a nova previdência é desumana. É perversa. São esses os que perdem.

Não se pode esquecer ainda três elementos. O primeiro é que uma das mudanças anunciadas trata da redução do benefício assistencial concedido aos idosos em condição de miserabilidade. O BPC (Benefício de Prestação Continuada) atualmente concede o valor de um salário mínimo aos idosos acima de 65 anos que não possuem meios de se sustentar. Na nova proposta, os idosos passariam a receber, acima dos 60 anos apenas R$ 400. O salário mínimo só seria concedido a partir dos 70 anos. O outro é a ausência dos militares que tanto pesam à previdência, talvez reflexo do governo com maior presença de militares no regime “democrático”.

O terceiro elemento, e finalmente um interessante, seria a alíquota de 22% para servidores com altos salários, entre eles juízes, procuradores e auditores. O interessante, nesse ponto, não é a alta carga, mas o fato de refletir, timidamente, uma tentativa de justiça social, embora não pareça ser essa a intenção do governo, vide o elemento dois.

De todo modo, as consequências da reforma, caso aprovada, serão nefastas (a exemplo de ação semelhante no nosso vizinho Chile, onde já observa crescimento da taxa de suicídio entre idosos). Muito provavelmente os trabalhadores brasileiros, cientes da dificuldade de se aposentar pela previdência pública e dada a raridade dos empregos com carteira assinada em razão da reforma trabalhista, migrarão para a informalidade (até mesmo a classe média, empreendendo em seus trailers que não pagam impostos) e para a previdência privada. Mais uma vez os bancos ganham e o Estado perde poder de organização social e investimento.

A arrecadação do governo será cada vez menor e finalmente o Estado se tornará estupidamente tão mínimo como assim o baronato quer. Como consequência, as classes populares empobrecerão como um todo, a miséria tenderá a ampliar de forma nunca vista antes, sobretudo entre os mais velhos e a população sequer terá condição de ajudar o próximo solidariamente aponta o Filósofo Paulo Ghiraldelli. A desigualdade, nosso maior gargalo enquanto país, poderá chegar aos mais altos patamares da nossa história em apenas uma ou duas décadas.

Imagem ilustrativa.
Fonte: Willian Pavaneli

E não para por ae, as consequências da reforma tendem a gerar outras consequências. Já sabemos que um dos motores da criminalidade é a desigualdade social, diante disso, há expectativa de crescimento da insegurança, do narcotráfico (que se manterá como mercado super rentável, não tanto quantos os bancos, é claro) e dos homicídios (ajudados também pela maior circulação de armas oriunda da proposta de liberação de posse por parte do governo federal) , inclusive os praticados por agentes do Estado (em virtude da ampliação dos excludentes de ilicitude, proposta no pacote anticrime do Ministro da Justiça, Sérgio Moro, segunda analisa a AJD – Associação de Juízes para a Democracia).

O consumo interno também tende a ser freado em razão do menor poder de compra dos cidadãos, de modo que o comércio e os comerciantes serão profundamente atingidos. Viveríamos sobre uma nova realidade social, muito mais cruel que possivelmente se refletiria em uma sociabilidade mais bárbara e ampliação dos transtornos mentais da população, tais como a depressão e a ansiedade.

Para não concluir, se essas hipóteses de consequência estiverem corretas, o resultado das eleições de 2018, que pareciam ter decretado o fim da mínima dignidade e qualidade de vida para a geração de brasileiros que nasceu nos anos 70, 80 e 90, com a atual proposta da reforma da previdência, parece se alastrar às dos anos 10, 20, 30 e assim por diante.

Referências bilbiográfica

Qual é o papel da arte?

Em recente coletiva de impressa acerca da estreia do filme Marighella, Wagner Moura (o diretor) afirma ser o filme uma das primeiras obras de arte a estar em contraste com grupo que está atualmente no poder no Brasil. É pra isso que servem os filmes? Talvez, fato é que essa declaração nos leva (eu acho) a uma indagação filosófica: qual é o papel da arte?

Certamente essa não é uma resposta fácil de se encontrar e menos ainda há a intenção aqui de esgotá-la ou servir como discurso de autoridade, mas, antes disso, refletir sobre. A partir da Estética, subcampo da filosofia que se debruça sobre a noção do “belo” e como ele aparece na arte, é possível ter acesso a um debate muito proveitoso para pensar o dilema do título, trata-se da dualidade: arte (autêntica, bela, aura) x cultura de massa (produto industrial).

Foquemos nas características que costumeiramente as definem, para melhor compreendermos essa duplicidade. Uma obra de arte demanda originalidade, sugere-nos apresentar (criar) um olhar novo sobre o mundo, os teóricos costumam dar o nome de “aura” a essa originalidade que torna a obra de arte única. Elas seriam, portanto, possibilidades de leituras originais para a nossa velha forma de ver (e ler) o mundo.

Michelangelo – A criação de Adão – 1510

Outras atribuições que a arte carrega é a necessidade (dada a sua grande expressividade) de pensar o significado, de apurar a sensibilidade, em outras palavras, ela demanda um esforço racional, de interpretação e imaginação, por parte do espectador, para “chegar” à obra e degustar a sua mensagem.

Sobre o que entende-se por suas funções, razão desse texto, advoga-se que a arte deve ser lida como uma forma de conhecimento, conhecimento esse que pode desvendar e revelar realidades ocultas, ou seja, elas educam, elas podem emancipar indivíduos, como diria Paulo Freire. Outra função que se pode lançar mão é a criticidade, as obras de arte costumam ser críticas e, por isso, muitas vezes podem chocar, incomodar, mas não o fazem sem propósito, aliás, a intenção e a mensagem que carregam, são outros elementos que configuram a noção do belo na arte. Quando as obras intencionalmente incomodam, alcançam esteticamente o belo e estão, acima de tudo, cumprindo o seu papel enquanto arte.

Harmonia Rosales – A criação de Adão? – 2017

Por outro lado, a cultura de massa, seria um subproduto banalizado. Pode ser entendida como uma arte em versão simplificada e massificada, um produto industrial produzido em larga escala (em série) para ser consumido velozmente, em pouco tempo e gerar lucro. Alguns críticos inclusive negam o status de arte a essas obras.

Geralmente os produtos da cultura de massa são repetitivos, passageiros, (visto que são consagrados pela moda) e agem como propaganda de marcas, empresas ou até valores e estilos de vida. Essas obras não demandam esforço interpretativo algum, a mente não age, só recebe. Nesse processo, muitas vezes consome-se (perspectivas que criam) ilusões da realidade.

A cultura de massa não obriga a pensar e não pode perturbar, menos ainda chocar, afinal, ela precisa dos consumidores para manter o lucro, e não de apreciadores. Essa arte é vista apenas como diversão e não conhecimento, assim sendo, ela não emancipa, ao contrário, faz o sentido inverso, aliena.

Meios de consumo – o programado é você

A música brasileira atual não seria, hegemonicamente (mas não totalmente), um exemplar perfeito? O hit “o nome dela é Jenifer”, super popular em janeiro, não deve passar abril e se você está lendo isso em outro ano que não 2019, certamente nem deve lembrar o que é isso de Jenifer.

Para não concluir, segundo o professor de Filosofia Pablo Capistrano: “A falta de (….) uma educação estética, condena a grande maioria da população a um estágio de letargia”. Se essa afirmativa for verdadeira, e tudo indica que é, o Brasil parece ter mergulhando de 2013 para cá, na mais profunda inércia cognitiva sensorial; e se isso for verdade, e tudo indica que é, o filme de Wagner Moura certamente incomodará muito; e se isso for verdade, e torço para que seja, significa que essa arte cumpriu o seu papel; e se isso for verdade, e já não há mais como fugir dela, o papel da arte é, entre outros, dar um tapa reflexivo e impregnado de significados na nossa cara.

Referências Bibliográficas:

Rio 3, a extinção.

Infelizmente já era sabido desde o ano passado (2018) da triste situação da ararinha-azul. Trata-se do que os especialistas chamam de extinção na natureza, o que significa que não são mais encontradas em meio natural. As poucas dezenas de espécimes da ave ainda existentes se encontram em criadouros e muitos desses estão localizados fora do Brasil, arriscaria dizer (com chance de erro) a maioria.

Figura ilustrativa

Paremos apenas um instante para refletir o quanto isso é bizarro. Temos espaços enclausurados, criados por humanos, para proteger animais dos próprios humanos, isolando-os do seu habitat natural e com a esperança de que procriem. Isso já é por si só um sintoma assustador do que nos tornamos. Mas e depois disso? Que aventuras os aguardam? A esperança dos profissionais é levá-los de volta à vida em natureza, mas em que natureza? Nossa capacidade de destruição é gigantesca e nosso sistema econômico capitalista e as relações sociais que dele derivam em nada ajudam. Não se trata aqui também de sentenciá-lo como o único culpado, mas certamente não é passível de negligencia.

Nesse ponto precisamos entender como ações políticas podem contribuir para o desastre dos impactos ambientais antrópicos (aqueles causados pelos humanos). Uma das primeiras medidas do atual governo federal foi transferir a atribuição das demarcações de terras indígenas e quilombolas para o ministério da agricultura. Tal ministério tem o poder de convergir em si um compilado de interesses e lobbies antagônicos aos de preservação de biomas e dos povos originários, tanto defendidos por ambientalistas e antropólogos respectivamente, e nesse esteira, o garimpo e a mineração também ganham força, afinal os territórios indígenas são, em muitos casos, ricos em minerais e um vistos como um grande entrave ao desenvolvimento. Mas que desenvolvimento e pra quem? Em suma, na prática, a medida acaba facilitando o desmatamento e a poluição ambiental, e esses retornam ao cerne do problema espacial das araras azuis.

Lado esquerdo: território não indígena.
Lado direito: reserva Indígena Mebengokre Kayapó, no Mato Grosso (2019)

Essa complexa questão foi ligeiramente abordada aqui em escala nacional e regional, lançando mão dos fenômenos (causadores) pertinentes. Entretanto, poderíamos realizá-la na escala local também, onde certamente outros atores e ações assumiriam a responsabilidade pela devastação dos ecossistemas. Por fim, retomando o viés político do debate, é possível concluir que seu voto e postura política podem fazer de você um cúmplice de genocídios indígenas/quilombolas e extinção de espécies animais, mas não se preocupe, na tela da sua televisão elas continuarão lindas.

Referências bibliográficas:

Ocupemos espaços

Ao redor de 2012/2013, conversava com o meu “affair” da época e lembro que em uma discussão sobre determinada decisão de algum juiz, que claramente penalizava ainda mais um trabalhador grevista (direito legal), eu disse essas palavras para ela: temos que ocupar os espaços, do contrário, a situação não se altera estruturalmente. Podemos fazer protestos, lutar em diversas esferas políticas, mas temos que lutar nessa também, temos que ocupar esses espaços senão outros o fazem. Na época ela não concordou muito. Hoje, pelo pouco que sei dela, creio ter mudado de opinião.

Sabemos que a leitura que fazemos do mundo é naturalmente balizada pela nossa condição material de existência (privilegiado ou explorado), ou seja, nossa condição de classe social. Juízes, que são profissões de classe abastardas no Brasil, não fogem completamente a regra, e o exemplo em cena demonstra, como já avaliou o advogado e professor de Criminologia e Direito Penal da USP Maurício Dieter, que em muitos casos os julgamentos, embebidos de elementos pouco racionais (leitura prévia da realidade oriunda da sua condição de classe), não apresentam a empatia e sensibilidade social necessárias e uma das formas de mitigar isso é ser um deles. Em suma, quero dizer que, quando os bons não ocupam espaços, os medíocres se assentam, tal qual o ditado popular da mente vazia enquanto oficina de alguma coisa mitológica que não me recordo no momento.

Dito isso, transfiro esse exemplo para a nossa atual realidade movida a (des)informação por intermédio das redes sociais, as famosas fake news, alguns casos bem olds mesmo. Esse magnífico espaço virtual, denominado como ciberespaço pelo geógrafo Michael Batty, é uma grande ferramenta de divulgação e compartilhamento de ideias e ideais, me arrisco inclusive a dizer que é o futuro da pedagogia dada a sua dinâmica e enorme interatividade.

Mas voltando ao título do texto, é um espaço, e como tal, possui propriedade de ocupação. Ocupação essa que tem sido exercida de forma pujante, mas por quem e para quem? O que se observa, enquanto (má) informação, é uma enxurrada de delírios, teorias da conspiração e devaneios que inundam as redes. Essas mensagens têm intoxicado os usuários que passam a desprezar os fatos e a própria verdade. Mentiras contadas em larga escala passam a se tornarem realidades sem qualquer contestação. Em muitos casos, essas narrativas apenas corroboram a visão de mundo que o usuário quer manter, evitando o desconforto de ter quer questionar ou averiguar algum dado, exceto quando põem em cheque a sua crença, nesse caso tudo é convenientemente relativizado. Como consequência, a sua capacidade cognitiva e de crítica sobre o mundo é limada. Ele se torna um reprodutor apático e raivoso.

Estamos diantes, portanto, de uma disputa de narrativas. Dois lados antagônicos. A diferença central entre os polos são as fontes e os métodos de compartilhamento. De um lado temos a ciência e a filosofia respaldando uma forma de conhecimento, mas fechados em seus muros acadêmicos (as universidades). Do outro, na ausência de fontes e ferramentas intelectuais coerentes, a divulgação em massa ganha papel central e as universidades, os pesquisadores e os professores passam a serem descreditados. Eles são os “doutrinadores”, mesmo sem apelar para emoções ou textos sagrados, o que não faz sentido.

Pois bem, e onde se dá essa divulgação em massa? No ciberespaço, mais especificamente nas redes sociais. Essas redes têm sido ocupadas por enxames de notícias paranoicas e isso tem gerado grande repercussão social, a mesma sociedade que eu e você vivemos. O Brasil, por exemplo, decidiu uma eleição através desse mecanismo. Em suma, as nossas vidas estão sendo afetadas diretamente por tal realidade e, nesse sentido, embora não saiba ao certo qual é a solução, sei que uma ação precisa ser feita: precisamos ocupar esses espaços, precisamos sair dos muros das universidades e compartilharmos os conhecimentos que adquirimos. Essa foi a razão central que me fez abdicar da minha zona de conforto e estar aqui escrevendo (esse é apenas um texto inaugural) e a que me impulsiona a querer (e irei) ampliar meus territórios virtuais de atuação.

Como disse a Nil Moretto, uma youtuber que já realizou tal feito: “Ocupe espaços. Há muita carência de informação”. Faço esse apelo a você também. Não temos escolha, ou ocupamos a internet ou os imbecis não apenas estarão libertos pelas redes sociais, como insinuou Umberto Eco, mas nos dominarão.

Referências bibliográficas.

https://www.youtube.com/watch?v=Ahv8TSF-RTM&t=3968sh
https://twitter.com/nilmoretto
https://www.revistaforum.com.br/eco-redes-sociais-deram-voz-a-legiao-de-imbecis/